Nathalia Criscito
  • Algoritmos
  • Inteligência Artificial
  • Proteção de Dados

*Nathália Criscito é analista Sênior de Privacidade e Proteção de Dados na TIVIT

inteligencia artificial

 

A Inteligência Artificial vem sendo aplicada em todas as esferas da vida humana, e impacta diretamente a forma como encaramos a privacidade de dados.

Embora venha sendo cada vez mais comentada e esteja presente em aplicações cada vez mais cotidianas, essa é uma disciplina muito antiga e um campo do conhecimento que levou várias décadas para se desenvolver.

Como é possível concluir ao analisar as conquistas adquiridas pela humanidade no decorrer dos anos, o que hoje chamamos de Inteligência Artificial é fruto de diversas tentativas do homem de otimizar, automatizar e trazer praticidade para o cotidiano.

Percebe-se, para além disso, que a evolução tecnológica tem acompanhado a evolução da sociedade nos mais diversos aspectos, principalmente no que diz respeito a sua forma de organização, hábitos, visão de mundo da humidade, dentre outros.

As inovações trazidas pela chegada dessa nova era digitalizaram, senão tudo, quase tudo ao seu redor.

Os enormes compartimentos de arquivos dentro das empresas foram substituídos pelas conhecidas nuvens, as salas de reuniões foram transformadas em videoconferências, e as caixas com retratos com nossa história de vida hoje estão salvas nas redes sociais.

As coleções de discos, CDs e DVDs tornaram-se relíquias, momentos, bens, recordações, encontros…

Tudo ganhou sua forma digital de ser e foi traduzido na linguagem dos números e códigos.

Diante de um cenário em que algoritmos têm acesso automático às nossas informações pessoais, fica difícil preservar 100% a privacidade e dados.

Assim, se até aqui entendemos que o combustível das mais diversas modalidades da IA são as codificações desses dados, algumas perguntas tornam-se necessárias, tais como:

 

  • Quais são esses dados?
  • De onde esses dados vem?
  • Quem controla esses dados?
  • Como esses dados foram obtidos?
  • No que esses dados podem ser transformados?
  • Quem monitora essa transformação?
  • Além de mim, quem tem acesso a esses dados?
  • Onde exatamente esses dados ficam guardados?
  • Quando eu excluo esses dados, eles realmente desaparecem?

 

Pois bem, os famosos e hoje tão valiosos Bancos de Dados passaram a reger nossa realidade tão sutilmente no decorrer da evolução humana, que muitas vezes não percebemos que as facilidades trazidas pelas inteligências geradas através deles podem ser benéficas e maléficas na mesma medida.

Até os mais desatentos já se sentiram sendo vigiados de alguma forma em algum momento do seu dia.

Aquele produto da nossa lista de desejos logo aparece em liquidação nas nossas redes sociais e o marketing das empresas parece cada vez mais personalizado.

É como se agora os publicitários soubessem exatamente como nos cativar. Antes mesmos de nossa cartela de remédio rotineiro acabar, recebemos aquela mensagem da farmácia anunciando uma nova promoção.

Não é à toa que, nos últimos tempos, após o lançamento do documentário “O Dilema das Redes”, a seguinte frase de Andrew Lewis viralizou:

“Se você não paga pelo produto, o produto é você”.

Isso porque, se como falamos anteriormente, os dados são o principal combustível que alimenta a evolução tecnologia da inteligência artificial.

Quando falamos de Machine Learning, por exemplo, a inteligência artificial evolui e aprende na proporção em que recebe esse combustível. Podemos considerar então que podemos perder o controle de até onde essas inteligências podem chegar?

Sim, mas apenas se abrirmos mão do controle remoto do qual somos o dono e que existe por trás de toda essa criação.

Traçar um embate contra a IA e colocá-la na posição de vilã moderna do século só nos distanciará das imensas possibilidades que ela traz como aliada.

O potencial transformador dela dependerá diretamente do tipo de transformação que buscamos como sociedade. Primeiro precisamos entender como um algoritmo funciona para, assim, usar sua melhor faceta ao nosso favor.

 

A importância da educação tecnológica sobre a Inteligência Artificial

 

Quando pensamos em todas essas mudanças e reflexos sociais decorrentes da evolução sofrida pela IA nas últimas décadas, não podemos deixar também de pensar nos impactos que ainda estão por vir nos próximos anos.

Da mesma forma, não podemos desconsiderar a importância dessa evolução tecnológica e o enorme leque de possibilidades trazidas quando olhamos para ela como nossa aliada.

Logo, aprender a viver nessa nova era através de um convívio saudável e consciente torna-se essencial na trajetória da humanidade.

Assim, a educação tecnológica focada na conscientização dos indivíduos é tão essencial quanto a conscientização de responsabilidade das empresas e dos desenvolvedores de programas da atualidade.

Se a vida digital dos indivíduos hoje começa muito mais cedo do que nas décadas passadas, faz-se essencial conscientizar os produtores de dados sobre o valor da informação pessoal.

Além disso, é preciso mostrar o quanto o compartilhamento dessa informação pode impactar nossa existência como cidadãos com direitos e deveres.

O objetivo aqui não é cessar o compartilhamento, mas torna-lo consciente e equilibrado.

A criação e disseminação de uma cultura que dá importância a privacidade e proteção de dados é essencial na formação de indivíduos tomadores de decisões informadas e responsáveis.

Também é importante para a perpetuação de uma sociedade que consegue conciliar os avanços tecnológicos de forma equilibrada e humana.

A IA é uma ferramenta maravilhosa fruto de décadas de trabalho da humanidade, mas apenas enquanto tivermos controle sobre ela e não ela sobre nós.

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